
Esperava dele o beijo e vice-versa. Cada um a esperar que um tomasse a dianteira. Nome do outro desconheciam, conheciam somente o abraço que cada um considerava cálido e acolhedor como nenhum outro. Ele a sentia, tanto quanto ela o mesmo. Gostaria de dizer que no fim eles foram felizes para sempre, mas não estou escrevendo isso a fim de iludir mais meninos e meninas. Como um romance (um pseudo-romance, para quem sabe o futuro). O beijo arrepiante e quente faziam os dois sentirem-se eternamente amados. Imaginavam os dois que o fim não viria a acontecer. Gostaria de dizer que estavam certos, mas não me permito mentir quando trata-se do coração. Apostaram naquilo como se o outro levasse consigo uma partícula deles mesmos. Tolos, iludidos.. Apaixonados. Com o tempo ficou claro que não seria duradouro. Ela nele não suportava os defeitos e nem ele nela. Disseram-me os dois que um amava o outro. Eu duvido. Amor? Amor finito? Desde que eu me lembre, amor é uma infindável busca de agradar o outro, amor é aceitação mútua, amor verdadeiro não deveria acabar. Ou sou eu que sou clichê e iludida demais? Não sei quanto tempo em exato se passou, só sei que um dia o corpo dela jazia inerte no chão, e ao se aproximar dela as últimas palavras que ele ouviu saírem de sua boca foram: “Eu jamais deixei de te amar.” Ele me disse numa tarde de domingo chuvosa enquanto deixava seu café esfriar, que ele também a amava. Outro fato que duvido. Ela, muito mais confiável e sincera que ele, havia me contado que um dia o viu beijando sua melhor amiga. Eu pensava até aquele instante que essa era eu, mas descobri que tudo havia sido da boca pra fora, que eu jamais havia sido por ela considerada a melhor. Doeu ouvir aquilo, acredite. Mas a dor dela era maior que a minha, e guardei a minha no bolso para poder acolhê-la. Eu não sei dizer se fico triste que a história dos dois tenha acabado, mas no fundo, eu sempre havia sido apaixonada por ele, mesmo que fosse ele um galinha pelo que ela havia me dito, mas eu já não tinha mais motivos para acreditar nela, não é? Essa história jamais acabou que eu me lembre, mas eu me lembro de ter acordado e à guisa do bom dia, ter pedido mais cinco minutos. Tinha o intuito de continuar a sonhar, mas isso não foi possível, afinal, o que queria dizer-lhes, é que as vezes, nem mesmo os sonhos são perfeitos.
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